QUANDO MORRE ALGUÉM QUE AMAMOS?


Se os autores das novelas e dos filmes não se rendessem somente as grandes obras literárias, bem que poderiam ler a bíblia, e que trama teríamos sobre a história de Davi Bate-Seba e Urias, uma verdadeira lição de vida. Vamos relembrar a história: um rei que vê a mulher do seu amigo tomando banho manda chamá-la e comete adultério com ela. A engravida, depois manda matar o seu esposo, e passado o tempo do luto casa-se com ela. A criança nasce mas muito doente então:
“Davi busca a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra. Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles. E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria. Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta. Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do SENHOR, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu. E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão. E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança? Porém, agora que está morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim. Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher,”. (2 Samuel 12.15-24)
A morte de um ente querido - Como superar a dor de uma grande perda? Um dos momentos mais delicados na vida da gente é quando alguém que amamos morre... Quando a perda é inevitável, quando a dor é real e sem saída, quando perdemos e perdemos mesmo... o que fazer para superar a dor da perda? Este final de semana faleceu o pai de um grande amigo e lá diante deste drama da vida comecei a fazer algumas considerações; infelizmente aprendemos mais com a dor do que com a felicidade. A dor nos faz rever os nossos valores, crescer amadurecer e assim valorizamos mais a vida e as relações com as pessoas ao nosso redor. Percebi que diante de uma perda desta significância, temos dois caminhos a seguir. O primeiro é nos afogarmos na dor, guardando eternamente sentimentos de raiva, indignação e culpa, questionando a justiça dos homens e a de Deus. E o segundo caminho nos permite seguir a vida, enfrentando a dor e as etapas seguintes. Embora essa via seja mais dolorosa, é a mais saudável, porque se não expressarmos e vivenciarmos esse momento, certamente o conservaremos dentro de nós (luto crônico) e estaremos, futuramente, vulneráveis aos sofrimentos emocionais e físicos.
A primeira sensação que temos é a de que não se sobrevive à dor da perda, pois ela é muito mais forte do que se pode imaginar. Temos a impressão, às vezes, de que ela nunca irá passar. Toda perda gera um luto e esse processo exige tempo.

Nos preparamos desde cedo para enfrentarmos a competitividade que a vida nos impõe, estudamos, fazemos diversos cursos, aprendemos profissões, aprendemos leis, como lidar com o dinheiro, etc, mas, não aprendemos e raramente alguém se prepara para enfrentar períodos de sofrimentos, dores, perdas, velhice e morte, essas coisas importantes e reais, negamos terminantemente, e quando elas nos sobrevém não sabemos o que fazer, como agir, como enfrentar. É necessário também nos prepararmos para essas realidades. Será que negar, ignorar essas realidades é a melhor forma de lidar com elas? Não nos preparamos psicologicamente, espiritualmente, socialmente para essas realidades é a melhor escolha? É um erro nos prepararmos para essas coisas, isto é sofrer antecipadamente ou minorar os sofrimentos e dores em momentos de crises?
O sofrimento faz parte da nossa humanidade, sofremos de varias maneiras, fisicamente, socialmente, financeiramente, espiritualmente. Passamos por crises, aflições, momentos que somos abalados, afrontados por ventos contrários que veementemente sopram nossas frágeis estruturas. Muitos vergam, caem, levantam e recomeçam tudo de novo. Alguns ficam amargos, deprimidos, quebrados e sem esperança, se tornam arrogantes, afastam-se de Deus e das pessoas, e continuam não valorizando a vida; outros aprendem, ganham experiência, crescem e se tornam mais doce, humildes, se aproximam mais de Deus e do seu próximo, passam a valorizar mais a vida.
Este episódio na vida de Davi nos ajuda a fazer o certo quando tudo dá errado. Vamos analisar como Davi agiu, depois de ter perdido um filho que tanto desejou ver crescer e, quem sabe, se tornar Rei em seu lugar. Como fazer quando quem mais amamos morre?
1° Seja valente!
Davi se levantou da terra! E se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas!
Os servos de Davi ficaram com medo de dar a noticia da morte da criança, porque quando ela estava doente ele já estava arrasado não queria comer nem dormir, mas para surpresa de todos quando Davi foi informado da morte da criança se levantou e comeu pão; os seus servos perguntaram: Mas porque o senhor fez isso disseram: quando a criança estava viva você lamentou e chorou agora que a criança morreu você se levantar?
A primeira vista parece muita insensibilidade de um pai não é? Mas observe o que Davi responde: “Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança? Porém, agora que está morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”
Davi estava consciente que não poderia fazer mais nada, estava na hora de seguir a vida. Não podemos permitir que a tristeza nos sufoque. Saiba que: A MORTE NÃO É O FIM, SIMPLISMENTE É O INICIO DE UMA VIDA SEM A PESSOA QUE PERDEMOS!
2° Fique firme e creia que dias melhores virão!
Console e ampare quem sofre tanto ou mais que você! “Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher” Faz muito bem à família e aos amigos conversarem sobre a pessoa que morreu, olhar fotografias e chorar por sentir saudade. Na medida em que há diálogo, vamos nos transformando e ganhando força para retomar o dia-a-dia.
Mesmo para as pessoas que hoje vivenciam uma doença na família, não se pode afastar a realidade da perda gradual. É válido procurar viver ao máximo cada momento, resolver as questões pendentes, agradecer, perdoar e ser perdoado, falar de sentimentos e até da saudade que sentirá. Um tempo necessário, que não é permitido para as pessoas vítimas da violência. Quando a morte é súbita e inesperada, a dor é infinitamente maior e a elaboração da perda é lenta e sofrida. No entanto, a dor é a mesma quando se perde alguém importante na vida.
Mas a vida continua. Devemos desenvolver a capacidade de enfrentar momentos difíceis e de nos ajustarmos às situações de perda, que acontecem na vida. O restabelecimento emocional é importante para seguirmos adiante, até porque a distância física não é o fator determinante, que irá romper os laços afetivos.
Despedir-se não é pôr um fim a uma história, é encontrar um lugar para a pessoa que perdemos no cantinho da saudade e das lembranças boas. Daí, seremos capazes de reinvestir nosso amor e esperança nas pessoas que ficaram e que, certamente, precisam muito de nós.

Por que as pessoas morrem? Não será porque morrer faz parte da vida?
Você já assistiu o filme O HOMEM BICENTENÁRIO? Se não, vale apena ver; embora eu vá contar o final dele agora.
Este filme conta a história de um robô que lutou por duzentos anos para ser reconhecido como parte da humanidade. Até certo ponto do filme ele já amava, ficava triste, tinha um corpo com todas as funções biológicas de um humano, tinha amigos, uma namorada… O que o separava da humanidade?
Ele não podia morrer. Então um dia ele programou seu próprio corpo para começar a se deteriorar aos poucos. Ele sabia que teria somente mais uns 40 anos de vida, se ele se exercitasse e cuidasse da alimentação direito, mas preferiu morrer como um homem de duzentos anos do que viver para sempre como um robô.
A MORTE FAZ PARTE DA VIDA! SOMOS SERES FINITOS; E POR QUE SOMOS SERES FINITOS DEVEMOS BUSCAR AQUILO QUE É ETERNO.
Naquele velório, quando ouvi cada palavra mencionada pelos familiares, percebi que embora sejamos seres finitos nossas ações se eternizam na vida das pessoas, cada gesto de afeto é comentado, cada história é lembrada; e os que ficam se agarram nisto, como meio de suportar a grande dor da perda.
Ficar firme é não desfalecer diante do sofrimento, não colocando os nossos olhos somente nas coisas visíveis e passageiras que o sofrimento reclama, mas é permanecer em pé olhando as realidades eternas.
“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas”. (II Coríntios 4.16-18).
Por Leonardo Pessoa

JÁ SE SENTIU COMO SE ESTIVESSE EM UM LABIRINTO?




Se você tem mais de 20 anos com certeza já ouviu a música “Sonho de Ícaro” do Biafra; Voar, voar, subir, subir... Ícaro é um personagem da mitologia grega, ele era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas. Um dos maiores feitos de Dédalo foi o LABIRINTO DO PALÁCIO do rei Minos de Creta, para aprisionar o Minotauro, um ser metade homem ,metade animal. Mas por ter ajudado Ariadne, a filha de Minos a fugir com Teseu, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que Dédalo e seu filho Ícaro fossem jogados no labirinto.
Dédalo sabia que sua prisão era intransponível, as paredes eram altas, ele olhava a sua volta e via que Minos controlava todo mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. Foi então que pensou: "Minos controla a terra e o mar", "mas não as regiões do ar. Tentarei este meio".Dédalo então projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos e com ajuda de Ícaro, de forma que as asas se tornassem perfeitas como as das aves. Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar. Equipou seu filho e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próxima ao Sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, para que o mar não pudesse molhá-las. Dédalo beijou seu filho com lágrimas nos olhos e as mãos tremendo, levantou vôo e foi seguido por ele.Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o ar. Era diferente do lugar onde estavam. Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do Sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção esquecendo-se das orientações de seu pai, talvez inebriado pela sensação de liberdade e poder. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo caiu no mar. Quando Dédalo notou que seu filho não o acompanhava mais, gritou: "Ícaro, Ícaro, onde você está?". Logo depois, viu as penas das asas de Ícaro flutuando no mar. Lamentando suas próprias habilidades, enterrou o corpo numa ilha e chamou-a de Icaria em memória a seu filho. Chegou seguro à Sicília, onde construiu um templo a Apolo, deixando suas asas como oferenda.
Você já se sentiu em um labirinto, um beco onde não dá pra ver a saída, um lugar onde às paredes são tão grandes que não conseguimos olhar o horizonte? Como um rato de laboratório, onde se coloca um queijo na saída e o deixa para que se guie pelo cheiro. Na vida somos assolados por problemas distintos e às vezes de complexidade gigantesca e não vemos saída para esta situação.
O mito encontra-se com o histórico, Davi certa vez se sentiu assim como se estivesse em um labirinto sem saída.“Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra”. (Salmo 121: 1)
Jerusalém, cidade onde Davi está, era cercada por montes, no meio do seu trajeto estavam estes montes, com suas ameaças de caminhos escarpados, onde o vacilo do pé pode significar a morte; onde salteadores e temores estão por todo o lugar; e aonde o próprio sol incandescente que chega a 48°C pode ferir o viajante. Muitas vezes se lê o verso deste salmo de modo incorreto, dando a impressão de que o salmista olhava para os montes pois via neles o seu socorro. Não é esta a idéia. O salmista vê os montes com temor, como um desafio a ser vencido e pergunta: “de onde me virá o socorro?”
Davi fala neste Salmo, dessas situações de agigantamento das dificuldades, desse estado de cerco, de sítio em que nos vemos muitas vezes. Ele fala de situações bem específicas em nossas vidas, que por vezes, somos levados a passar. Todos nós, de um modo ou de outro, por vezes, nos descobrimos dentro de tais situações; momentos em que a vida, por assim dizer, se transforma num imenso Grand Canyon ou um labirinto. Nós somos surpreendidos por realidades que se parecem com um terrível desfiladeiro. Olhamos à volta e nos vemos cercados, entrincheirados pela existência.
Tentamos descobrir uma saída, uma porta, mas não a enxergamos.
Então nós olhamos para o alto, não pelo fato de pensarmos de antemão que o nosso socorro vem do alto, mas porque o nosso cerco é tão elevado, as dificuldades são imensas, os obstáculos tão grandes, que para divisar o cimo, o topo destas dificuldades, temos que olhar para o alto mesmo, visto que elas cresceram, tornaram-se maiores que a nossa estatura, agigantaram-se.
Este labirinto que às vezes nos encontramos nos mostra que não temos todas as respostas. Davi apresenta razões tremendamente fortes, pelas quais nós podemos crer que em Deus nós encontramos saída para esses momentos, que em Deus nós temos socorro bem presente para estas situações.
Não que ele irá resolver nossos problemas, mas nos ajudar nos indicando o caminho a seguir.
Dédalo olhou e não viu saída nos seus arredores, mas foi quando olhou para o alto viu que poderia sair daquele labirinto, Não importa quão grande sejam seus problemas, saiba que sempre há uma saída. Mas eu não consigo enxergar a saída?Talvez você esteja olhando para o lado errado!
Davi e Dédalo têm algo parecido; Davi se viu no meio dos montes, e quem o levou para lá? Ninguém, ele foi sozinho.
Dédalo foi aprisionado no labirinto que ele mesmo projetou. A nossa forma de lidar com as situações da vida nos leva muitas vezes para labirintos, e só damos conta disso quando já estamos lá.
Como sair? Só existem duas saídas; uma saída é pela porta da Lucidez a outra pela porta da Loucura.
Loucura é à saída do covarde, ou seja, “o suicídio” Ícaro estava tão angustiado naquele labirinto que quando viu a possibilidade de estar livre, não pensou nas conseqüências, mesmo sendo advertido por seu pai, e voou para morte.Lucidez nos faz a encarar os problemas que nos levaram para lá, de frente. Mesmo sabendo que neste processo podemos enfrentar perdas, Dédalo viu que o único meio de fugir do labirinto era pelo ar, e respeitou as condições a sua volta.
Muita gente quando se encontra em um labirinto joga a culpa em Deus, na Vida, em algum Santo, no Lula, até na Sogra... Enfim, em qualquer coisa que justifique sua própria incompetência em escolher o caminho certo para sair do labirinto. A culpa não é de ninguém! É nossa mesmo!
Todos nós deveríamos ter em mente que, se queremos progredir e sair de determinada situação, cabe a nós mesmos encontrarmos a saída. Quando os montes nos sufocam, quando nos encontramos em um labirinto,devemos primeiramente olhar para todos os lados, e não encontrando ajuda, devemos olhar para cima, para Deus por que é de lá que vem nosso socorro.
DEUS NÃO NOS FARÁ VOAR, MAS NOS DARÁ SABEDORIA PARA CONSTRUIRMOS NOSSAS PROPRIAS ASAS...
“O labirinto não ensina onde está à saída, mais quais são os caminhos que não levam a lugar algum”

Por Leonardo Pessoa


AMAR É VERBO

Nada mais me inspira a escrever do que uma boa leitura. Enquanto leio, consigo gargalhar sozinho e já algumas páginas à frente cair num intenso choro silencioso. Certas leituras desarmam minha racionalidade, afloram minha emoção e me permitem refletir e escrever com o que mais gosto: meu humano coração – cheio de certezas e dúvidas, alegrias e tristezas, sonhos e frustrações, amores e paixões.

Ao ler a bíblia pela primeira vez. Não tinha muitas referências sobre os autores e o tema principal. Li as memórias dos profetas sobre "Deus" sem ter nenhuma representação formada sobre quem ele poderia ser. Foi melhor assim. Os autores o revelam como gente, e não como mito, expondo todas as contradições e faces de uma pessoa, que poderia ser muito bem meu pai, avô ou irmão – ou poderia ser você. Afinal, somos todos muito parecidos.
A bíblia fala de muitas coisas e fala também de amor. Amor é o centro da fé cristã. O Amor vem de Deus, nos leva para Deus e nos leva para o outro.
Não acredito no amor de palavras. Ninguém dá amor - o amor não é substantivo. Podemos dar coisas como carinho, atenção, respeito e tesão. Por essa razão, digo que amor é verbo – condicionado, assim, À AÇÃO DE AMAR. Amor "o" palavrinha complexa.

Se estivéssemos na aula de português e a professora nos pedisse uma análise sintática do verbo amar analisando-o somente gramaticalmente, veríamos que se trata de um verbo transitivo direto. Quem ama, ama alguém ou alguma coisa. É, portanto, verbo que exige um objeto, um motivo, uma causa que lhe dê razão e lhe dê sentido de existência. Não existe sem este complemento, pois, do contrário, seria inútil. Não somente na frase ou no discurso o verbo amar carece desse algo mais que o justifica. Também nas nossas vidas e no nosso coração esta verdade é plena de significado, ao conjugá-lo sem essa razão que lhe dá alicerce, o nosso aprendizado afetivo não existiria. Na frase de nossa vida, ou melhor, na oração de nossa vida. Precisamos do sujeito ( nós) do verbo ( Deus) e do objeto ( o outro). Nossa vida só tem sentido se deixamos o verbo nos dá ação. E esta ação tem seu fim no objeto, o outro.
“Não tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo seu amigo”.(João 15:13)

Eu não era merecedor deste amor... O verbo me amou e hoje para completar o sentido de minha vida preciso amar.

E na vida, quando encontramos as pessoas que amam de verdade não é difícil percebê-las, embora, muitas vezes, não reconheçamos isso. Ou só “cai a ficha” quando já é tarde demais!
Outro dia, eu e minha esposa, fomos a um evento filantrópico, onde o jantar custava R$ 20,00, com comida à vontade. O lugar era muito simples, e os pratos, com tempero caseiro, eram uma delícia. Disse isso à responsável pelo jantar, que estava na saída, e ela de pronto me respondeu com a maior simplicidade do mundo: – é porque é feito com amor, meu filho!
Penso agora nas pessoas que conheci para identificar aquelas que amam na rotina do seu dia-a-dia.
Quanto a nós, sabemos amar? Ou melhor, sabemos o real significado de amar? Você, alguma vez, já teve a curiosidade de olhar o significado da palavra amor no dicionário? Se nunca procurou, vou poupar seu trabalho. O primeiro significado mostrado é o que talvez tenha a melhor definição:
” Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outra pessoa ou de alguma coisa.”
Então é fácil: Amar é desejar o bem do outro. Mas, talvez, não seja tão simples assim. Já reparou que, quando amamos alguém, nossas necessidades costumam estar antes das do outro? Queremos o outro sempre perto, queremos atenção total, queremos ser ouvidos, etc, etc. Queremos, queremos, queremos… Onde está o querer do outro e o Bem estar do outro?
Isso acontece quando estamos mais preocupados com o receber, em vez de buscar compreender as reais necessidades do outro, sem prestarmos atenção no que de bom podemos compartilhar, e resolvemos só entregar tudo que for possível. É ai que nos esquecemos de fazer do amar um verbo.
Amar é realizar ações concretas que demonstrem o bem querer com o outro. Desejar o bem do outro é amar incondicionalmente, é não sermos egoístas querendo tudo a nossa maneira. Verbos indicam ação. Trazer o amor para a ação é parar de idealizar a perfeição, é não cobrar atitude, mas agir em busca do melhor.

Quem diz que ama, mas quer tudo do seu jeito sem querer compartilhar, não ama outrem, ama a si próprio e por isso, sofre. Sofre porque passa o tempo todo se sentindo rejeitado ou como se faltasse algo, como se estivesse vazio. Deixar de lado as inseguranças e as duvidas, saber que só o amor constrói e que a liberdade faz parte do amor é começar a percorrer o caminho para o amor verdadeiro.

É preciso amar concretamente. Não é tarefa fácil. O amor que vem de Deus é aquele que faz com que nos aproximemos do outro para atender as suas necessidades e não as nossas. Nisso entra a continuação do evangelho de Lucas que mostra a parábola do bom samaritano.
Amar de verdade é reconhecer aqueles que entram em nossos caminhos precisando de atenção.

Por Leonardo Pessoa


IRRITAÇÕES

Agarrado no sedimento arenoso, onde o rio desembocava no oceano, a ostra, abriu gentilmente a sua concha, a fim de sugar água do mar, exatamente como vinha fazendo durante toda a sua vida. Dessa vez, entretanto, a água que corria pelo seu sistema de filtragem deixou um incômodo grão de areia em seu corpo. Ele não o conseguia deslocar. Nada que ele fizesse seria capaz de eliminar aquela partícula de sílica posta em seu corpo. Apesar de o grão de areia não lhe ameaçar a vida, era deveras irritante. O dia do molusco ficou absolutamente arruinado.

Dois dias depois, ficou óbvio que aquele grão de areia tinha se alojado ali, para ficar. Ficara encravado entre a carne mole da ostra e sua concha. O menor movimento da ostra era suficiente para acentuar a irritação: mais ou menos como uma pedrinha, dentro do sapato, cria uma dor crescente, à medida que se anda.
Todavia, ostras e seres humanos enfrentam irritações, reagindo de maneira bastante diferente. Podemos tirar o sapato e retirar a pedrinha; a ostra não pode desfazer-se de sua concha, a fim de extrair o grão de areia. Por isso mesmo, Deus proveu a ostra de uma secreção especial cujo nome é nácar. Mais ou menos, como uma aranha, pode expelir material, para armar a sua teia, a ostra pode secretar o nácar, em redor do fator de irritação, a fim de abrandar ao incômodo.
Dotado de um instinto, dado pelo Criador, a ostra formou um cisto protetor, em redor da substância estranha, e foi revertendo sistematicamente o grão de areia, com sua secreção. Isso embotou as arestas cortantes do grão. Mesmo assim, o fragmento de sílica continuava exercendo pressão contra a carne da ostra. Ela então, liberou maior quantidade de secreção, envolvendo o grão de areia com uma segunda camada de nácar. Os meses arrastavam-se e se tornaram anos, mas a irritação não se ia. Embora agora o nácar tivesse formado uma proteção arredondada e lisa, e não lhe cortasse mais a carne formara-se uma excrescência interna, de tal volume, que o molusco sentia como se alguém estivesse pressionando um dedo em seu lado.
A ostra sentia-se derrotada. Apesar de todo o seu duro trabalho, o fator de irritação havia aumentado de volume.
Ela estava certa de que aquela imensa excrescência o havia tornado um fenômeno anormal. “Ninguém, jamais, haverá de me querer”, lamuriava-se. Quando o apanhador de ostras lançou a sua caçapa e a retirou de sua incrustação, no sedimento do fundo do mar, não ofereceu resistência. O senso de depressão havia substituído o deleite da vida. E ela costumava pensar: “Haveria algo pior do que esses últimos sete anos de sofrimento”
Na manhã seguinte, o preparador das ostras cortou o músculo, que mantinha juntas as duas metades da concha, e deixou a ostra escorregar para dentro de uma tigela. A cozinha explodiu com um grito de excitação: “Vejam só o que eu encontrei! É a maior pérola que já vi. Vale uma fortuna!” A maneira como aquela ostra havia trabalhado a causa de sua dor tornara-se fonte de prazer e alegria para outrem.
A pérola é a única gema formada por um organismo vivo, razão pela qual também é a mais frágil de todas as gemas. Apesar de todas as gemas terem muito valor comercial, uma pérola grande e perfeita, que se desenvolveu no interior de uma ostra, sem qualquer manipulação humana, pode chegar a preço mais elevado do que um diamante perfeitamente lapidado.
Nem todas as ostras produzem pérolas: menos de dez por cento delas são produtivas. Usualmente, conseguem livrar-se dos grãos de areia que se alojam em seus sistemas. E, mesmo quando não conseguem desvencilhar-se de algum fator de irritação, algumas ajustam-se à dor. Por semelhante modo, nem todos suportam bem as aflições e os problemas; mas aqueles que conseguem resistir à severidade dos testes têm uma rica oportunidade de produzir, uma pérola.
Há uma série de materiais aos quais o homem dá um valor especial, como é o caso do ouro, da prata, dos diamantes, dos rubis e de outras pedras preciosas.Todos eles têm origem em estruturas metálicas ou cristalinas, inorgânicas, como é o caso dos diamantes, produzido a partir de uma exposição do carbono a milhares de anos de pressão e calor.
Já a pérola, possui natureza orgânica, uma vez que é produzida dentro das ostras. Não é sem razão que ela foi tomada muitas vezes como elemento simbólico das coisas espirituais, tanto por Jesus Cristo como pelas mensagens proféticas.
“O reino dos céus é semelhante ao homem negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.” Mateus 13: 45-46
Os sofrimentos podem produzir mágoas e tristezas ou pérolas de extraordinário valor. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Já sentiu duros golpes de preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?
Então, produziu uma pérola, um tesouro que se criou dentro de você.
Cubra suas mágoas com várias camadas de amor. São poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de sentimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando as feridas abertas, alimentando-as com sentimentos pequenos, não permitindo que cicatrizem. Assim, na prática, o que vemos são muitas ‘ostras vazias’, não porque não tenham sido irritadas ou feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.
Por Leonardo Pessoa