PROPOSTA DE MEDIAÇÃO


O Rio de Paz, movimento da sociedade civil, que luta pela redução de homicídio no Brasil, vem por meio desse comunicado, propor às autoridades públicas do Estado do Rio de Janeiro, que seja feita uma proposta de rendição aos narcotraficantes que se encontram na comunidade do Complexo do Alemão, dando-lhes um prazo para deporem literalmente as armas e entregarem-se à polícia, antes que haja a provável operação policial que está para ocorrer, cujo objetivo é libertar aquela localidade do domínio territorial armado de uma facção criminosa.

 Os motivos desse pedido relacionam-se aos seguintes fatos:

 1. O possível efeito emocional e dissuasório da ação inédita, realizada no dia de ontem, pelas forças policiais em parceria com a Marinha brasileira, sobre a vida dos membros da facção criminosa que atua naquela localidade.

 2. A preservação de centenas de vidas, uma vez que, a probabilidade de banho de sangue é concreta, caso haja resistência por parte dos narcotraficantes. O Rio de Paz quer evitar, entre outras coisas, cenas de pais e mães carregando no colo corpo ensangüentado de filho morto.

 3. O aspecto moral da questão. Oferecer-lhes a proposta de rendição, que preservaria vidas humanas, é atitude que melhor se harmoniza ao espírito que deve reger as relações humanas no Estado Democrático de Direito.

O Rio de Paz ressalta o êxito das decisões tomadas pela Poder Público, após a crise que se estabeleceu no campo da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro: A Vila Cruzeiro foi retomada sem derramamento de sangue; O extenuante trabalho das nossas polícias na tentativa de restabelecer a ordem pública; A conjugação de esforços com as forças armadas brasileiras; e O compromisso com a transparência, com todas as autoridades da área de segurança, colocando-se à disposição dos meios de comunicação para que a sociedade receba esclarecimento.

O Rio de Paz entende que, em momento tão crucial da história da nossa cidade, a população deve estar ao lado dos seus governantes, para que seja debelado o problema histórico e crônico do terror impingido pelas facções criminosas. Não é momento para divisões. A vitória do Estado é a vitória de toda uma sociedade, que está farta da barbárie e de enterrar seus mortos.

 “O mundo está de olho no Rio de Janeiro, torcendo para que encontremos solução para a crise da segurança pública, mas atento a fim de saber se o nosso procedimento será de povo civilizado. Estamos diante de grande aceno à democracia: nunca tantos anelaram pela vitória sobre o crime organizado. Estamos diante de grande ameaça à democracia: nunca tantos quiseram a vitória sobre o crime organizado a qualquer preço. A mínima possibilidade de vitória sem derramamento de sangue impõe o dever imperioso de darmos chance à solução pacífica. Pode parecer romântico, mas antes de tudo trata-se de uma demanda da razão e do amor”, declara Pr Antônio C. Costa, presidente do Rio de Paz.

Extraído do blog Rio de Paz: http://riodepaz.typepad.com/rio_de_paz_news/2010/11/proposta-de-mediação.html

Em nome “do” Jesus

Próximo a casa da dos meus pais ainda existe uma venda que freqüento desde garoto. Na época meu pai tinha uma conta com o dono do estabelecimento. Praticamente todos os dias eu ia a venda buscar alguma coisa em nome do meu pai. Pão, tomate, açúcar, frango etc. Todas as vezes que ia a essa venda pedia um salgadinho de camarão, praticamente era um vicio.

Até que um dia meu pai resolveu analisar as anotações do caderno de despesas do mercadinho e viu que em um mês praticamente uma folha era só de anotações de salgadinho de camarão. Ele pediu ao dono da venda para que não vendesse mais esse produto para mim.

No outro dia quando fui à venda pedir pão, leite, alface e o salgadinho de camarão em nome do meu pai o dono da venda me deu todos os produtos e quando eu ia reclamar a falta do salgadinho de camarão ele disse; seu pai não quer que você consuma esse produto.

Nos protestantes acreditamos que podemos usar de maneira mágica o nome de Jesus para as coisas acontecerem. E nos baseamos erroneamente em um trecho bíblico de João 14:13-14: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”

Basta colocar o “em nome de Jesus” ao final de cada frase e sua oração terá sucesso. ABCD... em nome de Jesus! FGHI... em nome de Jesus! Isso não é a vã repetição que Jesus diz em Mateus 6:7-8? Mesmo se a vã repetição é o nome de Jesus. Pensa-se que o nome de Jesus é aquela chave de segurança que dá acesso as operações de nossa conta corrente.

Quando tinha 23 anos era procurador da empresa em que eu trabalhava para retirar e assinar documentações junto a cartórios e bancos. Poderia fazer qualquer coisa, mas quando assinava em nome da empresa tinha que ser para o beneficio da empresa e não para meu beneficio.

Você não pode usar o nome de Jesus para suas motivações egoístas. Quando ele disse ; “tudo quanto pedirdes em meu nome” ele está dizendo; como eu pediria a meu pai.

Orar ou falar em nome de Jesus é apostar naquilo que ele aposta é direcionar sua atenção em torno das coisas que Jesus defende e acredita. “Em nome de Jesus eu vou derrotar e humilhar meus inimigos”. Não, o seu pai não quer que você se consuma com o produto da ira.

Qualquer pessoa que me conheça um pouco sabe de minha total aversão a “Funk proibidão”. Se você pedir a minha esposa ou a qualquer um dos meus amigos e disser; Estou aqui em nome do Leonardo para retirar com você um valor “x” para comprar um CD de funk proibidão.

O que você ira ouvir imediatamente é; o Leonardo jamais autorizaria uma coisa dessas. O cidadão chega diante de Deus “em nome do Jesus” pedindo algo que o Jesus jamais pensaria em dizer, quanto mais em fazer. Ou ele é doido ou não conhece nem um pouco a Jesus.

Vi inúmeras vezes no ambiente religioso um “diabo” falar em nome de Jesus escondido atrás do púlpito. Como sei que era um “diabo”? Porque ele falava em nome de Jesus tudo aquilo que Jesus não era. Hoje nos ambientes religiosos estão falando do nome de Jesus. Mas o ser que descrevem é o diabo. Em nome de Jesus e com o uso da Bíblia roubam, matam e destroem.

Não sou cético. Acredito que há sim poder no nome de Jesus. Por sua filiação, vida, morte e ressurreição o nome de Jesus está acima de todo nome e perante o seu nome principados e potestades se prostam.

Se por acaso você está desempregado e “suspeita” que sua falta de emprego é uma investida de espíritos malignos e potestades, ore em nome de Jesus e esses espíritos te deixaram e você encontrará trabalho ainda hoje. Agora se seu problema for por que a economia está em crise ou porque o seu currículo está desatualizado vai demorar um pouco.

Se sua enfermidade “por acaso” for um ataque de espíritos ou do demônio em nome de Jesus se curado agora. Agora se não; procure um bom médico em nome de Jesus.
Orar por coisas que estejam de acordo com a vontade de Deus é a essência de orar em nome “do” Jesus.

Por Leonardo Pessoa

Revista Época 08/2010 – Os novos evangélicos

A Vera do Blog A Estrangeira publicou a matéria da revista época do mês de agosto sobre OS NOVOS EVANGÉLICOS, vale a pena todos que não puderam comprar a revista darem uma olhada. Segue o link:


Em conversão


Estou cansado. Não aguento mais tanta impunidade. Não consigo exercer o cristianismo diante de um crápula que usa brechas da lei para se safar de um crime hediondo. Que mata, que participa de corrupção ativa, que rouba o país, que rouba a inocência de uma criança. Do líder religioso que implanta medidas místicas de outras religiões, que trata seu membro com lixo na busca cega por crescimento financeiro e numérico. Não sou santo, mas também não sou a encarnação do mal. Como Deus pode amar alguém assim.

Como Jesus pode, por exemplo, visitar um homem como Zaqueu? Um homem de índole incorreta, que certamente eu, que não sou um bom exemplo para nada, não aceitaria nos seus círculos de amizades, alguém que ninguém quer ter do lado como amigo.

Zaqueu não passaria pelo meu crivo, porém ele é o escolhido por Cristo. É desconcertante para eu acreditar que Jesus naquela cena diante de pessoas idôneas prefira aquele que a meu ver não presta.

Sei que é errado pensar assim, mas eu não sei amar do mesmo jeito que Deus ama, eu ainda prefiro andar com os corretos, a minha preferência ainda é pelos santos e por aquelas pessoas que tem alguma utilidade para mim.

“Eu não sei amar os inúteis senhor! Eu não sei amar os ignorantes, que cometem o mesmo erro todos os dias. Eu não sei amar aqueles que não atendem ao meu pedido, não seu amar aqueles a quem julgo não merecer o meu amor”.

Acredito que a mensagem de Jesus é realmente buscar o que havia se perdido, aquilo que não interessa a sociedade. A mensagem do reino tem de alcançar todos mesmo aqueles que estão a margens da vida, abandonados marginalizados excluídos, pois não tem muito a oferecer.

Só comecei a entender um pouco essa misericórdia de Deus, quando pude senti-la na minha vida e vi que ela também é para mim, não só para o que estava do lado, não só para aquele que eu desprezo.

Hoje com 27 anos estou em processo de conversão. Converter é transformar a partir de. Por exemplo, eu possuo um arquivo de áudio que está no formato wma (Windows Media Áudio). Meu aparelho de som só lê arquivos em mp3, se eu quiser ouvir esse arquivo de áudio preciso convertê-lo para mp3. Dai através de um programa o meu arquivo que era wma se converteu para mp3 e agora a música que eu não ouvia posso ouvir.

Conversão é isso é pedir a Deus, senhor nessa hora eu não consigo amar essa pessoa, eu só consigo ver o pecado dela, pra mim ele (a) não possui nada de bom. Deus converte seu coração no coração de Jesus e aquele sentimento que não podia ser ouvido no seu corpo é transformado então posso ouvi-lo e manifestá-lo.

Todos os dias procuro me apaixonar pelas escolhas de Jesus, mesmo que ainda não consiga fazê-las.

Por Leonardo Pessoa

Reverberando a Vitória II

Atrevo-me a pensar mais uma vez sobre vitória. Quando me converti ao cristianismo foi me dito que com Deus sempre vencemos, que os vitoriosos são os justos. E na verdade só são vitoriosos porque tem a benção de Deus, e só a possuem porque são justos.

Desde muito jovem sempre fui aficionado por quadrinhos, para se ter uma idéia com oito anos eu possuía cerca de 700 revistinhas, esses quadrinhos refletiam sempre o herói como o vitorioso isso fazia muito sentido pra mim. Quem morre, ou sofre algum mal é o vilão e não o herói. Nos quadrinhos, pelo menos na minha época, o bem sempre vence. Na lógica religiosa a mim apresentada também.

Curioso, essa é a mesma utilizada na sociedade atual. Basta observamos a impunidade nos meios políticos e sociais. “Não ele não é corrupto porque se fosse estaria preso, e se está solto é porque é justo”

Essa lógica torpe e violenta diz que; quem vence está certo, e só vence porque está certo. E estando certo tem a benção e a aprovação de Deus, e por receber a benção e a aprovação de Deus é que vence.

Foi essa a lógica que motivou a Davi enfrentar o gigante. “Estou do lado da justiça, e por que estou do lado da justiça tenho Deus do meu lado, e porque Deus está ao meu lado vou derrotá-lo. E quando eu vencê-lo todos verão que estou lado da justiça e que Deus é comigo e não com o filisteu”.

Todas as sociedades pensam assim; os vitoriosos estão certos e se estão certos Deus está do lado deles. E porque estão certos e possuem Deus ao seu lado vencem.

Mas Jesus Cristo, o justo de Deus morre. A bênção encarnada é condenada a maior maldição possível aos homens. A personificação da justiça de Deus é crucificada.
“Tú não és o filho de Deus? Deus não é contigo, então desce da cruz!” disseram.

Através de Jesus Deus nos mostra que a vitória não significa necessariamente justiça, posso ser vitorioso mesmo não sendo justo basta possuir mais poder que o outro. Mostra-nos que aparentemente quem perdeu pode ser o verdadeiro vitorioso.

Quem é o Justo? O justo é o crucificado.

Mas o crucificado não é o que perdeu o derrotado? Sim, é possível que um justo seja derrotado, mesmo com a certeza que Deus está ao seu lado. E mesmo aparentemente derrotado ser o grande vencedor.

Por Leonardo Pessoa

Reverberando a Vitória I

Acredito que o termo vitória tenha ganhado espaço na minha vida com os jogos olímpicos de 1988 mesmo tendo apenas 5 anos. Lembro-me da corrida dos 100 metros razos o Ben Johnson foi campeão e bateu um recorde mundial que pertencia a Carl Lewis se eu não me engano. Mas na mesma semana o Ben teve de devolver a medalha ele foi pego no doping.

Pela gana de ser o primeiro Ben Johnson ficou alguns anos banido das pistas.
Foi o aristocrata francês, Barão de Coubertin, quem recuperou os Jogos olimpicos. Tentando reavivar o espírito das primeiras olimpíadas instituiu prêmios para cada colocação para a disputa ficar mais acirrada. Recebiam o premio as colocações de primeiro, segundo e terceiro lugar, sendo uma medalha de ouro para o primeiro, de prata para o segundo e de bronze para o terceiro.

Historiadores dizem que os poderosos da época apostavam entre si para ver qual competidor ganharia, então deixavam alguns dos seus ao redor das pistas, estes jogavam moedas sobre a pista, os que achavam que não tinham possibilidade alguma de vencer já paravam e pegavam as moedas, filtrando assim os competidores, quando a corrida aproximava-se de seu desfecho jogavam ainda mais moedas, na esperança de que um futuro campeão, (que não era o seu escolhido), viesse a desistir.

O interessante como essa disputa imita a vida. Pois na corrida da vida todos querem ser vencedores: o primeiro da turma da escola, o melhor no trabalho, o rapaz rico e o craque do esporte são apenas alguns dos exemplos. Assim, para obterem tais “títulos”, alguns trapaceiam. Utilizam-se desde a simples “cola” no colégio até o furto no trabalho, desde passarem “por cima” do companheiro de serviço ou ministério até a fraude no esporte como fez o Ben.

Subterfúgios esses utilizados com o fim exclusivo de chegarem ao primeiro lugar e então serem considerados como os vencedores. Declarados como “primeiro lugar”.

No geral as pessoas querem vencer. Pretendem obter sucesso e demonstrar isso para suas famílias; seus amigos e para sua comunidade e sociedade em geral. Ninguém deseja ser um perdedor, ou o “desajeitado” da turma.

Por essas e outras que cursos, palestras, e cultos do tipo “Alcance o sucesso” estão aí sendo ministrados aos montes lotando os auditórios e igrejas. Nesses eventos são ensinadas técnicas de auto-ajuda, auto-estima e dicas de como a pessoa deve fazer para se dar bem na vida, com o auxilio divino é claro; porque se Deus é por nós....

Tanto a trapaça quanto as técnicas de auto-ajuda não fazem do indivíduo um verdadeiro vencedor nessa maratona que é a vida. Não é a fraude, tampouco as receitas do sucesso, ingredientes para a plena vitória.

Por quê? A resposta está, primeiramente, na forma como encaramos a nossa corrida. Se acreditarmos que a pista que percorremos possui somente “alguns metros” de distância, cuja chegada está bem ali, no final da nossa passageira existência, poderíamos, então, ter como certo, que o subterfúgio da trapaça seria a melhor opção para sermos os vencedores.

Entretanto, a pista da nossa corrida é bem mais distante que qualquer maratona olímpica. Nosso tempo de existência é somente a largada de uma eternidade que nos aguarda. E quanto àqueles que trapacearam, serão pegos no maior de todos os exames: O exame de Deus da consciência do homem. Assim, os que começaram bem, podem terminar mal.

Sem falar naqueles que desistem da corrida da vida por causa de algumas moedas...

O maior vencedor olímpico não é o atleta que conquista a medalha de ouro, ou mesmo uma medalha, seja de prata ou bronze. A medalha de ouro é um detalhe que se submete a muitas variáveis.

Na piscina de 50 metros a distância entre o ouro e a prata é apenas um piscar de olhos. Fatores genéticos, recursos tecnológicos, acompanhamento clínico, nutrição, condições físicas para o treinamento, equipe técnica, apoio financeiro e outros tantos acabam por afetar o resultado mais até que o talento, a dedicação e a disciplina de cada atleta.

A maior batalha de um atleta não é contra seus adversários. Vencedor não é quem supera o outro, é quem supera a si mesmo. “Eu venci”; grande coisa!

Parafraseando o sábio Salomão, “maior é aquele que conquista a si mesmo do que aquele que conquista uma medalha de ouro” (Provérbios 16.32). Talvez por essa razão o apóstolo Paulo tenha comparado a carreira da fé aos jogos olímpicos (1Coríntios 9.24-27).

No podium olímpico apenas um leva o prêmio. Mas no podium da vida todos podem ser coroados vencedores, mesmo aqueles que chegam por último, pois na vida não competimos uns contra os outros para chegar na frente, mas contra nossos próprios limites e sombras, simplesmente para chegar.

Por Leonardo Pessoa





Sócrates, Glauco, Adimato e Eu...


A República (Livro VII) de Platão conta o “mito da Caverna” que é a narração de um dialogo de Sócrates com Glauco e Adimato. Neste Platão utilizou a linguagem mítica para mostrar o quanto os cidadãos estavam presos a certas crendices e superstições.

A história narra a vida de três homens que, acorrentados no interior de uma caverna desde sua infância, ficam voltados para o fundo dela apenas podendo contemplar uma réstia de luz que refletia as sombras que eram projetadas no fundo da parede, tendo como realidade, apenas aquela visão. Esse era o seu mundo.

Certo dia, um dos habitantes resolveu voltar-se para o lado de fora da caverna e consegue se libertar, seguindo o caminho de luz que o leva para fora da caverna. Quase ficou cego devido à claridade da luz. E, aos poucos, vislumbrou outro mundo com natureza, cores, “imagens” diferentes do que estava acostumado a ver, contempla então a realidade, o mundo das idéias.

Voltou para a caverna a fim para narrar os fatos aos outros dizendo que as sombras não são tudo que existe. “Mas não acreditaram nele, estavam acostumados às sombras e acreditando que elas são toda a realidade, revoltados com a suposta” mentira” o mataram.

Com essa alegoria, Platão divide o mundo em duas realidades: A sensível (que percebe pelos sentidos) e a Inteligível (o mundo das idéias). O primeiro é o mundo da imperfeição, pelo fato de ser limitado e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem.

Segundo Platão a caverna é o mundo sensível onde vivemos, a réstia de luz que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (as idéias) sobre o mundo sensível. Os prisioneiros somos nós, e as sombras são as coisas sensíveis que tomamos pelas verdadeiras. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos e opiniões. Mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade.

O ser humano deveria procurar o mundo da verdade para que consiga atingir o bem maior para sua vida. Em nossos dias, muitas são as cavernas em que nos envolvemos e pensamos ser a realidade absoluta.

Por muitos anos vivi em uma caverna, mas a culpa não era minha eu nasci lá. Tudo que entendia como vida eram as formas nas sombras das paredes, essa era minha realidade absoluta sobre a vida e sobre Deus. Só me permitia crer no que as sombras conseguiam reproduzir. Lá vivi sob a manipulação dos meios de comunicação, do sistema capitalista e das maldições hereditárias.

Um dia, dois amigos chamados Wagner e Clayton, que nasceram ali na caverna, mas haviam se libertado das correntes e saíram de lá voltaram para contar como era o “mundo” fora da caverna. Contaram que lá tudo era colorido e que não havia penitencias ou maldição alguma, que o capitalismo não impedia que as pessoas ajudassem umas as outras e o pior que havia mais 13 canais na TV aberta além da Globo.

Pedi para que fossem embora e desfrutassem sozinhos daquela que julgava “uma falsa descoberta”. Minha vontade naquele momento era de matá-los. Aquelas informações contrastavam de frente minha zona de conforto. Depois remoendo as idéias notei que realmente havia vivido somente as sombras da vida. Minha vontade era sair logo dali, ver como era realmente o mundo lá fora, foi então que percebi. Estava acorrentado. Chorei, chorei, após a seguinte constatação. Eram 22 anos preso naquela caverna.

Lendo o único livro que se podia possui naquele lugar, uma história me chamou a atenção. Era sobre um homem que há muitos anos atrás havia entrado naquela caverna, e que sua presença iluminava o lugar ele falava com doçura das maravilhas de um mundo fora da caverna, o que confirmava a história contada pelos meus amigos. O livro disse também que os habitantes dali não creram naquele homem e revoltosos o mataram. Mas antes de morrer ele livrou o povo das correntes.

Estranho, eu ainda tinha correntes. Num ato desesperado forcei as trancas elas abriram, estava livre. Tentei virar para a saída da caverna e a luz cegou-me. Era brilho demais para alguém que estava acostumado a sombras. De olhos entreabertos segui o caminho da luz e finalmente sai da caverna. Hoje conceitos como sombras e escuridão são para mim somente conceitos de um passado sem comunhão. Hoje sei que não é a luz a causa das sombras, mas os obstáculos que agora, em mim, não mais existem.

Muitas informações no mito da caverna denunciam a alienação humana, seja ela social política ou religiosa. Criam realidades paralelas e alheias. Até quando alguns escolherão o fundo da caverna?

No que tange a religião, muitas pessoas, como eu, estão tão arraigadas na sua crença que não conseguem perceber o mais importante; a beleza que existe no divino.

Por Leonardo Pessoa