Reverberando a Vitória I

Acredito que o termo vitória tenha ganhado espaço na minha vida com os jogos olímpicos de 1988 mesmo tendo apenas 5 anos. Lembro-me da corrida dos 100 metros razos o Ben Johnson foi campeão e bateu um recorde mundial que pertencia a Carl Lewis se eu não me engano. Mas na mesma semana o Ben teve de devolver a medalha ele foi pego no doping.

Pela gana de ser o primeiro Ben Johnson ficou alguns anos banido das pistas.
Foi o aristocrata francês, Barão de Coubertin, quem recuperou os Jogos olimpicos. Tentando reavivar o espírito das primeiras olimpíadas instituiu prêmios para cada colocação para a disputa ficar mais acirrada. Recebiam o premio as colocações de primeiro, segundo e terceiro lugar, sendo uma medalha de ouro para o primeiro, de prata para o segundo e de bronze para o terceiro.

Historiadores dizem que os poderosos da época apostavam entre si para ver qual competidor ganharia, então deixavam alguns dos seus ao redor das pistas, estes jogavam moedas sobre a pista, os que achavam que não tinham possibilidade alguma de vencer já paravam e pegavam as moedas, filtrando assim os competidores, quando a corrida aproximava-se de seu desfecho jogavam ainda mais moedas, na esperança de que um futuro campeão, (que não era o seu escolhido), viesse a desistir.

O interessante como essa disputa imita a vida. Pois na corrida da vida todos querem ser vencedores: o primeiro da turma da escola, o melhor no trabalho, o rapaz rico e o craque do esporte são apenas alguns dos exemplos. Assim, para obterem tais “títulos”, alguns trapaceiam. Utilizam-se desde a simples “cola” no colégio até o furto no trabalho, desde passarem “por cima” do companheiro de serviço ou ministério até a fraude no esporte como fez o Ben.

Subterfúgios esses utilizados com o fim exclusivo de chegarem ao primeiro lugar e então serem considerados como os vencedores. Declarados como “primeiro lugar”.

No geral as pessoas querem vencer. Pretendem obter sucesso e demonstrar isso para suas famílias; seus amigos e para sua comunidade e sociedade em geral. Ninguém deseja ser um perdedor, ou o “desajeitado” da turma.

Por essas e outras que cursos, palestras, e cultos do tipo “Alcance o sucesso” estão aí sendo ministrados aos montes lotando os auditórios e igrejas. Nesses eventos são ensinadas técnicas de auto-ajuda, auto-estima e dicas de como a pessoa deve fazer para se dar bem na vida, com o auxilio divino é claro; porque se Deus é por nós....

Tanto a trapaça quanto as técnicas de auto-ajuda não fazem do indivíduo um verdadeiro vencedor nessa maratona que é a vida. Não é a fraude, tampouco as receitas do sucesso, ingredientes para a plena vitória.

Por quê? A resposta está, primeiramente, na forma como encaramos a nossa corrida. Se acreditarmos que a pista que percorremos possui somente “alguns metros” de distância, cuja chegada está bem ali, no final da nossa passageira existência, poderíamos, então, ter como certo, que o subterfúgio da trapaça seria a melhor opção para sermos os vencedores.

Entretanto, a pista da nossa corrida é bem mais distante que qualquer maratona olímpica. Nosso tempo de existência é somente a largada de uma eternidade que nos aguarda. E quanto àqueles que trapacearam, serão pegos no maior de todos os exames: O exame de Deus da consciência do homem. Assim, os que começaram bem, podem terminar mal.

Sem falar naqueles que desistem da corrida da vida por causa de algumas moedas...

O maior vencedor olímpico não é o atleta que conquista a medalha de ouro, ou mesmo uma medalha, seja de prata ou bronze. A medalha de ouro é um detalhe que se submete a muitas variáveis.

Na piscina de 50 metros a distância entre o ouro e a prata é apenas um piscar de olhos. Fatores genéticos, recursos tecnológicos, acompanhamento clínico, nutrição, condições físicas para o treinamento, equipe técnica, apoio financeiro e outros tantos acabam por afetar o resultado mais até que o talento, a dedicação e a disciplina de cada atleta.

A maior batalha de um atleta não é contra seus adversários. Vencedor não é quem supera o outro, é quem supera a si mesmo. “Eu venci”; grande coisa!

Parafraseando o sábio Salomão, “maior é aquele que conquista a si mesmo do que aquele que conquista uma medalha de ouro” (Provérbios 16.32). Talvez por essa razão o apóstolo Paulo tenha comparado a carreira da fé aos jogos olímpicos (1Coríntios 9.24-27).

No podium olímpico apenas um leva o prêmio. Mas no podium da vida todos podem ser coroados vencedores, mesmo aqueles que chegam por último, pois na vida não competimos uns contra os outros para chegar na frente, mas contra nossos próprios limites e sombras, simplesmente para chegar.

Por Leonardo Pessoa





Sócrates, Glauco, Adimato e Eu...


A República (Livro VII) de Platão conta o “mito da Caverna” que é a narração de um dialogo de Sócrates com Glauco e Adimato. Neste Platão utilizou a linguagem mítica para mostrar o quanto os cidadãos estavam presos a certas crendices e superstições.

A história narra a vida de três homens que, acorrentados no interior de uma caverna desde sua infância, ficam voltados para o fundo dela apenas podendo contemplar uma réstia de luz que refletia as sombras que eram projetadas no fundo da parede, tendo como realidade, apenas aquela visão. Esse era o seu mundo.

Certo dia, um dos habitantes resolveu voltar-se para o lado de fora da caverna e consegue se libertar, seguindo o caminho de luz que o leva para fora da caverna. Quase ficou cego devido à claridade da luz. E, aos poucos, vislumbrou outro mundo com natureza, cores, “imagens” diferentes do que estava acostumado a ver, contempla então a realidade, o mundo das idéias.

Voltou para a caverna a fim para narrar os fatos aos outros dizendo que as sombras não são tudo que existe. “Mas não acreditaram nele, estavam acostumados às sombras e acreditando que elas são toda a realidade, revoltados com a suposta” mentira” o mataram.

Com essa alegoria, Platão divide o mundo em duas realidades: A sensível (que percebe pelos sentidos) e a Inteligível (o mundo das idéias). O primeiro é o mundo da imperfeição, pelo fato de ser limitado e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem.

Segundo Platão a caverna é o mundo sensível onde vivemos, a réstia de luz que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (as idéias) sobre o mundo sensível. Os prisioneiros somos nós, e as sombras são as coisas sensíveis que tomamos pelas verdadeiras. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos e opiniões. Mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade.

O ser humano deveria procurar o mundo da verdade para que consiga atingir o bem maior para sua vida. Em nossos dias, muitas são as cavernas em que nos envolvemos e pensamos ser a realidade absoluta.

Por muitos anos vivi em uma caverna, mas a culpa não era minha eu nasci lá. Tudo que entendia como vida eram as formas nas sombras das paredes, essa era minha realidade absoluta sobre a vida e sobre Deus. Só me permitia crer no que as sombras conseguiam reproduzir. Lá vivi sob a manipulação dos meios de comunicação, do sistema capitalista e das maldições hereditárias.

Um dia, dois amigos chamados Wagner e Clayton, que nasceram ali na caverna, mas haviam se libertado das correntes e saíram de lá voltaram para contar como era o “mundo” fora da caverna. Contaram que lá tudo era colorido e que não havia penitencias ou maldição alguma, que o capitalismo não impedia que as pessoas ajudassem umas as outras e o pior que havia mais 13 canais na TV aberta além da Globo.

Pedi para que fossem embora e desfrutassem sozinhos daquela que julgava “uma falsa descoberta”. Minha vontade naquele momento era de matá-los. Aquelas informações contrastavam de frente minha zona de conforto. Depois remoendo as idéias notei que realmente havia vivido somente as sombras da vida. Minha vontade era sair logo dali, ver como era realmente o mundo lá fora, foi então que percebi. Estava acorrentado. Chorei, chorei, após a seguinte constatação. Eram 22 anos preso naquela caverna.

Lendo o único livro que se podia possui naquele lugar, uma história me chamou a atenção. Era sobre um homem que há muitos anos atrás havia entrado naquela caverna, e que sua presença iluminava o lugar ele falava com doçura das maravilhas de um mundo fora da caverna, o que confirmava a história contada pelos meus amigos. O livro disse também que os habitantes dali não creram naquele homem e revoltosos o mataram. Mas antes de morrer ele livrou o povo das correntes.

Estranho, eu ainda tinha correntes. Num ato desesperado forcei as trancas elas abriram, estava livre. Tentei virar para a saída da caverna e a luz cegou-me. Era brilho demais para alguém que estava acostumado a sombras. De olhos entreabertos segui o caminho da luz e finalmente sai da caverna. Hoje conceitos como sombras e escuridão são para mim somente conceitos de um passado sem comunhão. Hoje sei que não é a luz a causa das sombras, mas os obstáculos que agora, em mim, não mais existem.

Muitas informações no mito da caverna denunciam a alienação humana, seja ela social política ou religiosa. Criam realidades paralelas e alheias. Até quando alguns escolherão o fundo da caverna?

No que tange a religião, muitas pessoas, como eu, estão tão arraigadas na sua crença que não conseguem perceber o mais importante; a beleza que existe no divino.

Por Leonardo Pessoa

Pecadores Anônimos

Pouco antes de meu filho Lucas nascer eu fazia um curso de Inglês em um centro católico de ensino. Este local também servia de sede para um grupo dos Alcoólicos Anônimos ou AA.

{Alcoólicos Anônimos é uma Irmandade mundial de homens e mulheres que se reúnem para alcançar e manter a sobriedade através da abstinência total de ingestão de bebidas alcoólicas.Os novos membros do AA são encorajados a não beber "um dia de cada vez". Através de exemplos, testemunhos e pelo companheirismo concentram-se em não beber hoje. Ao se afastarem da bebida, começam a cuidar de uma parte da doença. Anunciam aos seus membros “Nossos corpos têm uma chance de melhorar”}.


Algumas das salas usadas pelo AA também eram usadas pela minha turma. Um dia olhando os cartazes deparei-me com um que mostrava os doze passos propostos aos Alcoólatras anônimos.

É claro que apenas alguns passos não reabilitam ninguém, mas o primeiro me chamou a atenção.

“Admitimos que éramos, e somos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.

Ou seja, ou eles admitem que tem um problema ou estão perdendo tempo de estar ali.

Nossa maior dificuldade é admitir problemas, admitir que fizemos a coisa errada, em diversas áreas; conjugais ou não, comercias ou não, espirituais ou não.

No que diz respeito a espiritualidade; quanto tempo é desperdiçado nas nossas reuniões  religiosas, com a evocação de poderes sobrenaturais, possessões com línguas estranhas e pedidos de restituições divinas. (Se quer saber mais sobre isso acesse o blog do meu amigo Keiker: http://vozdedenuncia.blogspot.com/2010/05/restitui.html). 


Não existe mais um espaço para a reflexão pessoal e comunitária; a idéia não era reconhecermos que somos pecadores e que precisamos de ajuda para desenvolver nossa humanidade, pois perdemos o domino próprio? Estar em algumas reuniões religiosas hoje têm se tornado uma grande perda de tempo.

Acredito que o primeiro passo para nossa reabilitação com Deus acontece quando conseguimos dizer: “Miserável homem que eu sou!” E reconhecemos realmente que somos incapazes de não pecar. 

É preciso admitir que não conseguimos fazer as coisas certas e deixar de fazer as coisas erradas. “...Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim”. (Romanos 7: 17-20 NVI)

Paulo diz que o grande problema que eu tenho sou eu mesmo, não é o que faço ou deixo de fazer, é o que eu sou.  

Preciso assumir que tenho um problema e procurar ajuda, sou um pecador. Não estou fazendo o que deveria fazer, não estou desenvolvendo minha humanidade. Preciso de auxilio divino e dos irmãos. Meu pecado não pode ter domínio sobre mim. 
Quando foi que o pecado começou a tomar espaço na minha vida? Quando decidi trilhar por caminhos de morte.

Na cena do Éden o homem está entre a arvore da “vida” e a arvore do conhecimento do bem e do mal, a qual continha um fruto com sabor de “morte”. O que há entre a vida e a morte? Nada, não há nada. O mito do éden mostra o homem entre algo que pode lhe dar vida e algo que pode lhe causar a morte. E que o homem escolhe o caminho de morte.

Os filhos de Deus são encorajados por ele a trilhar por caminhos de vida e vida abundante, são encorajados a deixar o pecado "um dia de cada vez", negando-se a si mesmos dia após dia. E através de exemplos, testemunhos e pelo companheirismo concentram-se em não pecar hoje. Ao se afastarem do pecado, começam a manifestar os dons do Espírito Santo. Anunciam aos seus irmão “Nos temos a chance de melhorarmos como pessoa, e a desenvenvolver nossa humanidade”.

É necessário enfrentar a nos mesmos, admitir que éramos, e que sem a ajuda divina somos impotentes perante o pecado, que estamos perdendo o domínio sobre nossas vidas.

Nossas fraquezas e pecados roubam nossa humanidade. Lute contra isso; um dia de cada vez.

Por Leonardo Pessoa

Miserável salvo que sou!

...amor, gozo, paz, longanimidade, beneguinidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Estes são os nove frutos do Espírito descritos em Gálatas 5:22. Quando recebemos o Espírito Santo somos guiados por seu intermédio a fim de sermos moldados segundo o caráter de Deus, que nos foi apresentado através da vida de Cristo Jesus.

Gálatas descreve os frutos da carne e os frutos do Espírito, o Espírito é contrário a carne, por essa razão me cabe aceitar ou não a influência deste espírito sobre minha vida.

Independentemente da decisão por mim tomada está a minha salvação; sou salvo e ponto. Cristo através de seu sacrifício cumpriu o propósito de Deus que era salvar.

Quando rejeito a influência do Espírito Santo em minha vida não deixo de ser salvo; mas torno-me um ser miseravelmente salvo. Você deve conhecer alguns seres assim, são aqueles que mesmo afirmando que são “pessoas de Deus” ninguém consegue ver nenhuma conexão de Deus com ele. Pois se o Espírito não rege minha vida não manifesto seus frutos.

Meu filho Lucas é esteticamente semelhante com minha esposa. Quando anúncio a alguém:

- Olha este aqui é o meu filho!

A primeira reposta que ouço é:

- Nossa, ele não se parece em nada com você.

Sinto-me mal, por acreditar que é muito triste ser filho e não ter semelhança alguma com o pai.

Neste caso levantado no texto, que vantagem tem ser filho de Deus e não se parecer nenhum pouco com ele? Não manifestar sua beleza, seu amor, sua graça?

A única vantagem é que quando eu morrer serei salvo.

- Só isso; existe apenas há uma vantagem e só poderei gozar desta única vantagem de ser “filho de Deus” quando eu morrer? Esse é realmente o único beneficio de ser filho de Deus?

Mas para agora, hoje; não há vantagem alguma?

Recebi há algum tempo um e-mail que contava a história de um homem que vivia pedindo esmola assentado sob uma pedra, este já era conhecido por todos daquela comunidade. Quando faleceu todos resolveram fazer seu enterro, decidiram então enterrá-lo embaixo da pedra na qual ele viveu a vida assentado a esmolar. A pedra foi retirada e encontrou-se um tesouro incalculável, para ironia de todos e daquele que viveu a vida esmolando sem saber que estava sob um tesouro incalculável.

Aceitar a Cristo somente para não ir para o Inferno quando morrer é pedir esmola, sem saber que está sob um tesouro incalculável.

Miserável salvo que sou; pois vivi minha vida a esmolar. Hoje busco o verdadeiro tesouro que se encontra sob a pedra, que é a grandeza e o calibre daqueles que foram colocados a sua direita por dar de comer ao faminto, de beber ao que estava sedento, por vestir ao desnudo e por visitar ao doente e ao preso sem saber que estes eram o próprio Deus.

Por Leonardo Pessoa

A IGREJA DE JESUS III

A essência


A essência de uma igreja não está na qualidade de sua liturgia, de suas celebrações coletivas, não está na excelência de sua estrutura operacional, na qualidade de sua gestão em nada disto. A essência de uma igreja está no fato de ser ela uma comunidade, pois está é a grande evidência da presença do espírito santo.

Em Atos 2 quando o espírito santo é derramado àquela multidão que está no cenáculo e em volta dele se torna comunidade, e o autor de atos descreve como vive esta comunidade. Se dedicando ao ensino dos apóstolos, a comunhão e as orações. Vendem suas propriedades e bens e distribuem entre si conforme a necessidade de cada um.
Baseando-me no fato de que hoje sou a morada do Espírito. Se o espírito de Deus não tiver liberdade de atuar dentro de mim, irei prejudicar toda comunidade, todos serão prejudicados porque “eu” não estou cheio do Espírito santo.

A fé cristã é uma fé comunitária, mais que começa no individuo, ou seja, toda comunidade depende de você, toda comunidade depende de mim, toda comunidade depende de cada um de nós pessoalmente.
Na fé cristã não existe a afirmação de que “meus problemas são meus problemas, e ninguém tem nada a ver com isso”. Essa lógica não existe na cabeça de um Deus que é triuno, Deus não raciocina com a lógica do individualismo.
Humildemente afirmo que, Deus raciocina com a lógica da pessoalidade individual, porém uma pessoalidade que se manifesta na comunidade e que existe para gerar comunidade.

Devemos pensar que conceitos como individualismo, não são conhecidos para Deus.
Toda vez que chegamos diante de Deus, ele pergunta: onde está teu irmão?

E se nossa fala é igual a de Caim: Sou eu porventura guardador do meu irmão? Ele nos diz: É sim.
 Ninguém entra na presença de Deus sozinho, porque não somos seres únicos, somos uma comunidade, somos uma família, somos comunidade de partilha. Este é o grande milagre da ressurreição de Cristo e do derramar do seu espírito santo.

Por esta razão nossa oração deve ser; Deus conceda-nos que sejamos um corpo só, em ti.
E assim infinitamente mais do que pedimos ou pensamos é o pensamento que teremos.

Será que conseguiremos ser este corpo? Será que é possível este tipo de relacionamento? Será que essa comunhão é realmente possível? Segundo a afirmação de Paulo em Efésios 3:20 sim. “Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos conforme o seu poder que já opera em nós”. Então qual é o problema?

O grande problema é que em relação a isto nem se quer pensamos, quanto mais pedimos. A maioria de nós pensa em si, não pensa em ser este santuário comunitário, a maioria de nós pensa em como é que esse Deus pode me ajudar, e não em como eu posso manifestá-lo.

O problema não é o poder que em nos opera, mas o que pedimos ou pensamos. Porque com tantas orações importantes pra fazer, referentes às lutas diárias sobre as contas que temos de pagar, bênçãos pessoais, etc. Que a igreja só é lembrada no momento em que estamos no culto.

E a igreja deixa de ser um projeto, e passa a ser um lugar. Não é a toa que o cristão adora o templo. Existem varias pessoas que se você disser que não a necessidade de um templo para se reunir, dizendo que é possível nos reunirmos em comunhão na casa de algum irmão; provavelmente você pode ser agredido verbal e fisicamente. Por que este dirá: O que? E a casa de Deus?
 Esquecendo que a casa de Deus somos nós. Perdemos a visão exposta por Paulo, foi aqui que saímos do caminho esquecemos o real projeto de Cristo.
O projeto de Cristo é construir uma casa para Deus, porque um Deus vivo só pode morar em uma casa viva. O escritor Paulo Brabo disse um vez que “Deus não se contentou em habitar apenas um filho”.
A igreja teria de ser a restauração da humanidade. Não da humanidade como única salvação de muitos indivíduos, mas porque é a retomada do “conceito” de humanidade, onde não há distinção de etnia, raça, sexo, onde todos são um em Cristo Jesus.

A igreja é o fim das nacionalidades, onde trêmula apenas uma bandeira, a da humanidade.

Por Leonardo Pessoa

A IGREJA DE JESUS II


O Projeto

Em pleno Israel, numa época onde havia opressão, angústia e violência, aparece uma comunidade que realmente se amava, que não competiam entre si, que não disputavam entre si por coisa alguma, de pessoas que não buscavam os próprios interesses. Imagine o choque que foi isso naquela sociedade, uma sociedade marcada por brigas religiosas.

"E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações. Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos". (Atos 2:42-47)


Um país dividido, os partidos políticos em Israel eram vários, elem representavam uma forma de ser Israel e uma forma de pensar Deus e de agir em relação a Deus.

 Essênios: Reclusos, se julgavam puros e não se envolviam com nada nem com ninguém.

 Fariseus: Que eram extremamente judiciosos estavam o tempo todo analisando todas as pessoas, todas as manifestações e suas ações, para ver se esses se encaixavam ou não na doutrina, se isto estava ou não correto, se era ou não correto, era ou não a vontade de Deus.

 Saduceus: Tinham um pacto com os romanos, que eram o partido dos sacerdotes dos que estavam no poder, e estavam aliados aos romanos, isto por que se observamos a história o sumo sacerdote Caifás era na verdade títere de Anás, que era *títere  de um imperador romano.

Zelotes: Revolucionários que queriam de certa forma, tomar o poder; queriam destruir a força do império romano, eram contra tudo o que estava oposto a eles contra todos os outros partidos.

Romanos: Estavam presentes em grande número, as legiões romanas andando para cima e para baixo nas estradas, Israel era um entroncamento todos passavam por ali, os romanos oprimiam as pessoas dali, sem respeito algum por ninguém. Obedeciam a um rei **suserano que na ancia de agradar o imperador Tibério César, aumentava os impostos dos judeus de forma abusiva principalmente para os pescadores, porque deseja conquistar do imperador o titulo de governador de todo Israel, e para isto tinha de engordar os cofres do império, destruindo assim as reservas do seu país.

E no meio de tudo isto, da violência com pessoas com medo de andar nas estradas sendo assaltados atacados, pessoas passando fome, miséria, aparece uma comunidade de pessoas que realmente se amavam, de pessoas que buscavam os interesses uns dos outros e não seus próprios interesses, de pessoas que se abençoavam mutuamente. Amavam de verdade, se abraçavam de verdade não estavam correndo atrás de nenhuma benção. Abriam suas casa para receber os irmãos e celebravam uns com os outros, e se abençoavam mutuamente, repartiam as coisas entre si, não porque houvesse uma doutrina que os orientasse a fazer isto, mas por que eram movidos por um amor que os impedia de ficar calados e omissos diante do sofrimento alheio está era a igreja de Jerusalém.


Esse deveria ser o "projeto da igreja", viver em comunidade, numa comunidade formada por pessoas que realmente se amam, de pessoas que tem prazer em estar com o outro, e que tem prazer em receber o outro, que tem prazer em partilhar em abençoar e ser abençoado. De pessoas que abrem o coração e repeitam os de coração aberto, que não estão preocupadas em que está certo ou errado mas em saber se este está bem ou mal se le está sofrendo se ele está alegre se está vivo, se se recuperou, pessoas que estavam preocupadas umas com as outras.


A socidade daquela época e de hoje entra em choque quando vê uma comunidade, quando vê um grupo de pessoas se amando, é a profunda conciência de que existe um outro jeito de viver, que existe uma outra forma de se relacionar, existe outra forma de ver a pessoa que está ao meu lado, e que mais do que saber se ela está certa ou errada é meu dever ajudar a ela encontrar o real sentido pra vida, a alegrai de viver e de ter esperança.

*Marionete; boneco controlado por cordas; pessoa sem personalidade que obedece às ordens de outra pessoa.
**Como no feudalismo, um senhor feudal que tinha domínio sobre um feudo.

Leonardo Pessoa

A IGREJA DE JESUS I


A Fundação

Mateus 16 registra uma conversa de Jesus com seus discípulos quando eles estavam numa terra bem distante chamada Cesaréia que ficava a noroeste de Israel, enquanto caminhava Jesus fez uma pergunta:
O que o povo daqui diz sobre mim? O interessante é que Jesus estava perguntando sobre sua própria identidade, não a identidade que ele sabia ter, mas a identidade que o povo lhe atribuía. Quando você se relaciona com alguém, este relacionamento não é baseado na identidade que você possuí, mas na identidade que lhe foi atribuída.
Jesus está perguntando isso, qual é a identidade que o povo lhe atribuía. Os discípulos responderam:
Eles te consideram um profeta. Como Elias, Jeremias ou João batista.
Jesus não fez qualquer comentário. O povo o comparou a profetas bastante duros; os profetas mencionados pelo povo eram profetas duros que levaram a Israel pensar seriamente sobre a sua vocação, seu chamado por parte de Deus. Mas eles erraram ao atribuir a Jesus somente o status de profeta, mas além de terem errado eles disseram mais sobre si que talvez gostassem de dizer. O que o povo disse sobre si mesmo ao fazer esta afirmação sobre quem achavam que era Jesus? Disseram que o importante do relacionamento deles com Jesus não era quem ele era mais o que podia fazer. Eles iam até Jesus buscar uma benção, buscar uma cura pra si, pros seus; por isso não importava muito quem Jesus era, importava sim o que ele podia fazer.
Será que ele pode curar meu filho? Pode multiplicar pães pra mim?
Ali se formou uma igreja, a igreja da multidão, aquela que não está nem um pouco interessada no que Jesus é ou representa desde que ele possa fazer o milagre. Quer receber de Jesus tudo o que puder. Esta igreja tem se proliferado no Brasil e no mundo, uma de suas características é ensinar como usufruir o máximo de Jesus pra si, obter dele todas as bênçãos possíveis que seu poder pode conceder. Qual foi a reação de Jesus ao comentário do povo?
Nenhuma; Jesus não reagiu. E como se ele tentasse dizer; que não há o que comentar.Diante deste tipo de postura não há o que comentar, há sim o que lamentar. Como ele não era de lamentos, não disse nada e estendeu a pergunta a seus discípulos:
E vocês quem vocês acham que eu sou? Pedro imediatamente respondeu:
Tú és o Cristo o filho do Deus vivo!Essa foi uma resposta corretíssima porque foi inspirada por Deus, Jesus mesmo disse: Pedro você é um homem feliz, porque não foi a tua inteligência nem sua perspicácia que o fizeram você perceber isto, mas foi o meu pai que esta no céu que revelou pra você.
Aqui surge outra igreja, a igreja dos discípulos, a igreja que sabe quem é Jesus.
Qual é o significado da resposta de Pedro? Quando ele disse que Jesus era o Cristo, ele disse na verdade que Jesus era o escolhido por Deus para libertar o povo. Essa é uma ótima resposta, porque o povo que acreditava que viria um messias, achava que o Cristo seria o maior de todos os profetas. Mas Pedro disse mais, ele disse: O filho do Deus vivo! Trocando em miúdos é; o senhor é Deus que veio em carne e osso nos libertar. Essa resposta é perfeita. Quer dizer, Jesus é o ungido, o libertador, mas não só um mero libertador o senhor é o próprio Deus. Esta é à base da igreja dos discípulos, a igreja dos que sabem quem Jesus é. E isso muda todo o relacionamento que já haviam tido com Jesus; sabe por quê?
Porque a um líder seguimos, a um chefe obedecemos, um profeta ouvimos, de um mestre aprendemos, mas a um deus? Um deus a gente adora; não tem outra opção, deus ou você rejeita, ou você adora.
Quando Pedro disse: Tu és Deus que vieste em carne e osso para nos libertar, uau... Ele tinha criado um novo relacionamento com Deus, um novo relacionamento com Jesus. O qual era um relacionamento de adorador, se Jesus é Deus vamos adorá-lo. E Jesus disse: Você é Pedro e sobre esta “pedra” eu vou edificar a minha igreja.
E qual é a pedra? Você pode pensar que a pedra é Pedro, mas não é. A pedra é Jesus, do jeito que Pedro falou como ele era.
Então o que é a igreja de Jesus? É a reunião das pessoas que estão ensinando sobre esta pedra, ou seja, que viram que Jesus é Deus que veio em carne e osso para nos libertar e passam a ser adoradores de Jesus.
E o que significa ser adorador de Jesus? Será que ser adorador de Jesus significa montar uma banda, montar um grupo de louvor, ter uma oportunidade e falar algo no culto de domingo? O que é ser um adorar? Adorar é imitar! Foi isso que Paulo disse: sede meus imitadores como eu sou de Cristo. Quando você adora alguém você tenta imitá-lo você tenta parecer com ele, procura se vestir como ele, falar como ele ou como ela. Quem é que adora a Jesus? Aqueles que o imitam, e buscam imitá-lo, que olham pra ele como quem olha pra um espelho pra se acertar a imagem dele. E toda vez que olhamos pra Jesus com desejo de ser igual a ele, isso soa pro Espírito de Deus como uma oração, e uma oração que ele sempre atente.
O que penso é que a igreja é a reunião de pessoas que adoram a Jesus, de pessoas que querem ser iguais a ele, de pessoas que procuram imitá-lo no seu relacionamento com Deus, no seu relacionamento com o próximo, no seu relacionamento consigo mesmo. E de quantas pessoas são necessárias para que essa igreja surja? Duas ou três reunidas em torno de Jesus, para conhecê-lo melhor, para reverenciá-lo, para imitá-lo e para reproduzi-lo no seu dia-dia e nos seus conhecimentos. (Este texto é uma transliteração de uma mensagem de Ariovaldo Ramos) 


Por Leonardo Pessoa
Bibliografia:
Livros Repintando a igreja - Rob Bell
Multidão e discípulos: as duas igrejas da realidade
Mensagem Como escolher a igreja certa? - Ricardo Gondim
Ariovaldo Ramos - Mensagem